Search
  • Alessandro Sassaroli

Você sabe o que é metaverso?

A tecnologia está desenvolvendo mecanismos cada vez mais sofisticados para transportar o usuário para o universo digital em experiências totalmente imersivas, interativas e com alto grau de realismo. Muito já se fala de inteligência artificial e realidade virtual e aumentada. Mas um novo conceito ainda em ascensão promete ser a grande tendência para os próximos anos: o metaverso.


É um espaço coletivo e compartilhado na web associado a tecnologias que recriam a experiência física no ambiente digital, formando relacionamentos que são, ao mesmo tempo, online e offline.


O recurso nasce como uma estratégia omnichannel, interligando diferentes ferramentas para estreitar a relação físico-digital e aprimorar a experiência do usuário.

O conceito de metaverso não é novidade na ficção científica.

Filmes como Jogador nº 1 e Matrix já retrataram a ideia do mundo real baseado no universo digital. No entanto, a indústria cinematográfica – e até mesmo as empresas de tecnologia – ainda não explorou todas as possibilidades.


Para ficar mais claro, imagine uma videoconferência de trabalho, que funciona como uma estrutura relativamente binária, onde ou você está dentro ou fora dela, ou seja, quando a reunião se encerra, você é automaticamente desconectado e volta à sua realidade física. Agora, imagine que sua experiência “virtual” em seu ambiente de trabalho não se limite apenas a uma videoconferência, imagine que ao encerrar essa reunião você possa andar pelos corredores da empresa, visitar o refeitório e interagir com seus colegas de trabalho em tempo real, tudo isso é possível no metaverso.

Com o uso de tecnologias de realidade virtual e aumentada, internet e APIs (interface de programação de aplicações, do inglês), as companhias podem recriar todo o ambiente presencial na web, proporcionando uma experiência completa de proximidade relacional e interações muito semelhantes às que aconteceriam no mundo físico.

Segundo Mariana Santiloni, head de client services da WGSN, empresa global de previsão de tendências no mundo, o metaverso é uma manifestação em crescimento da internet 3.0 – a sucessora da internet que conhecemos atualmente.

O exemplo mais interessante disto é o que a empresa Meow Wolf oferece. São vários artistas, em múltiplas salas com projeções digitais (fundamentalmente realidade aumentada), da chamada “casa do eterno retorno”, que roda de maneira itinerante pelos Estados Unidos, com limitações impostas pela Covid-19. Aliás, arte e entretenimento são temáticas centrais aos metaversos, a Disney que o diga.


O que as marcas estão fazendo?

Há diversos exemplos que consolidam a percepção dos games como plataformas para reforço da marca e compra de produtos ou serviços. Tanto em 2019 quanto no ano passado, a Fanta criou uma experiência imersiva no Fortnite com ambientes para ativação de marca. No mesmo jogo, há um tempo jogadores podem vestir seus personagens com camisetas de times do Brasil e do mundo.


Também no ano passado, a Ambev criou um Bar Brahma no GTA para lançar a Brahma Long Neck duplo malte, em uma festa transmitida via Twitch e no Facebook que reuniu mais de 30 influenciadores.

O energético Fusion também aproveitou o universo GTA no ano passado.

Mais recentemente, em fevereiro, o Boticário abriu uma loja no Avakin Life na qual os jogadores podiam resgatar recompensas em itens da marca, além de uma consultora virtual para explicar sobre ativações no jogo.


A Gucci, serviu de “plataforma de moda” para vestir de avatares da Genies — muitos destes avatares são celebridades, oferecidos em estoques limitados.


A Balenciaga criou uma espécie de desfile gamificado, que massifica o acesso ao seu prêt-à-porter, com muita sofisticação.

Valentino fez algo um pouco distinto, criando peças de roupas que podem ser baixadas e aplicadas como num videogame. E dezenas de outras marcas de moda seguiram.

No ramo alimentar, o KFC criou uma espécie de ilha virtual, que permite ao usuário interagir com os personagens e, claro, pedir os produtos para delivery.

O exemplo atual mais forte sobre a visão dos games como plataformas de experiências digitais vem dos Estados Unidos, com o IPO do Roblox na bolsa de Nova York na metade deste mês. No social gaming que virou febre entre crianças e adolescentes, é possível conectar-se com amigos, assistir a shows e outras experiências que esboçam os metaversos.


O Facebook também planeja inserir a plataforma no metaverso

Zuckerberg não acredita que sua empresa (ou qualquer outra) administrará o metaverso. Para ele, o ambiente compartilhado faz parte de uma visão que abrange muitas empresas e todas devem ingressar nessa “internet incorporada”, operada de forma descentralizada. Ele só espera ser o pioneiro.


O brasileiro gosta do digital

Não há dúvidas sobre a aptidão do brasileiro ao digital. Do pioneirismo na adoção do Orkut à rápida aceitação de apps de mensagens como o WhatsApp; dos bancos digitais às nossas urnas eletrônicas. Não faltam exemplos de como o Brasil, não raro por suas necessidades, se torna pioneiro em algumas áreas de tecnologia.


E o metaverso será seu próximo grande salto global. O autor Neal Stephenson é o responsável pelo termo metaverso, que apareceu pela primeira vez em seu livro de ficção científica Snow Crash, de 1992. Na história, humanos na forma de avatares interagem uns com os outros em um mundo virtual.


A maneira mais fácil de entender o metaverso e como ele mudará nossas relações com a tecnologia e modo de interagir socialmente, é olhar para o Fortnite. Esse game está desenvolvendo um mundo compartilhado, onde jogadores e marcas interagem no mesmo espaço virtual. Um jogo de imersão total ao mundo virtual onde além das batalhas, há cada vez mais shows, eventos e até lançamentos de produtos dentro do jogo.


Mas por que o Brasil pode liderar essa corrida para o metaverso? Consideremos a nossa vasta população e seu grande interesse por tecnologia. Hoje, o Brasil já tem 94,7 milhões de gamers, de acordo com um novo relatório da Newzoo, empresa de pesquisa especializada em games. Um número impressionante se imaginarmos que a população total no país é de pouco mais de 200 milhões de habitantes.

Isso nos torna o quinto maior mercado de jogos do mundo, gerando cerca de US$2,3 bilhões em 2021. Os jogos para dispositivos móveis respondem por quase metade desse mercado.


Hoje, temos uma multidão de jovens que estão crescendo jogando Roblox e outros tipos de jogos. Infelizmente, a falta de opções de lazer nos grandes centros urbanos brasileiros, mesmo antes da pandemia, acelerava o processo de imersão, particularmente dos mais jovens, nas telas. Mas o resultado final é uma população cada vez mais familiarizada com o mundo virtual.


Uma particularidade do metaverso é que ele está cada vez menos limitado pelo conhecimento técnico. Plataformas como o Roblox, para muitos uma das maiores portas de entrada para o metaverso, permitem que qualquer um, mesmo com baixo conhecimento de programação, desenvolva seus próprios jogos. Isso, de certa forma, “compensa” as fraquezas acadêmicas de boa parte da população. Os jogos do Roblox são criados pelos próprios usuários, e 67% dos usuários do Roblox têm menos de 16 anos.


O Roblox usa uma linguagem de programação bastante acessível e cada vez mais crianças a utilizam. Já existem mais de 7 milhões de desenvolvedores na Roblox Studio, a ferramenta de desenvolvimento da plataforma, que disponibiliza mais de 18 milhões de jogos aos 199 milhões de usuários mensais. Esses desenvolvedores da comunidade ganham mais de US$200 milhões por ano da empresa.


Outro forte exemplo, é o lançamento do Boticário, que embarcou no mundo dos games e inaugurou sua primeira loja em ambiente virtual. Para ocupar espaço nesse universo, a marca se uniu ao Avakin Life, um jogo de VR (Realidade Virtual) que permite que o jogador crie um avatar e uma segunda vida.


Idealizado pelo Boticário e em parceria com a AlmapBBDO e a BBL - grupo de entretenimento especializado em games e eSports - é a primeira ativação de uma marca de cosméticos brasileira no jogo.


Como funciona na prática?


Uma loja do Boticário será transformada em um hub in-game. O ambiente escolhido é um dos preferidos da comunidade do jogo: a praça Brasil. Nele, os jogadores poderão resgatar recompensas do jogo por meio de pontos/moeda - os BotiCoins) e adquirir itens do portfólio da marca.


Também terá disponível uma consultora virtual da marca a Thaty - que explicará as ativações do jogo - massa, né?


Um outro ponto interessante dessa experiência, é que a marca deixará um menu especial de acesso em qualquer cena do game, onde os jogadores poderão acessar através do Avakin Life.

11 views0 comments

Recent Posts

See All